sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

PERGUNTA DE CARNAVAL

Esse foi um carnaval antibaticum. Fui pra praia, acompanhado de (bons) amigos e livros. Li 'A Morte de Ivan Ilitch' e 'A Dócil'. Um amigo comentou, em tom irônico: "Bastante apropriado pra um carnaval". Passei os dias debaixo de uma árvore, de frente pro mar, devidamente abastecido de latinhas geladíssimas. Não saí de casa pra barzinho, centrinho, baladinha, muvucazinha ou qualquer outro inho (ou inha). Toda vez que ouvia um surdo, uma cuíca ou até um mísero tamborim, vindo da rua ou da telinha da Globo, fugia pro quarto e me emocionava com a história do homem que, ao saber que estava com os dias contados, descobre algo ainda pior: que sua existência, da qual tanto se honrava, não valia absolutamente nada, fora podre. Agora pergunto: como pode haver tanta vida nas cerca de 80 páginas dessa pequena novela de Tolstói, que trata exatamente do oposto, a morte?

10 comentários:

Beatriz Galvão disse...

PC, caríssimo, como já ensinam os budistas há milênios: a morte não é o oposto da vida, é simplesmente um dos aspectos dela.
O oposto da vida é a imutabilidade, a não-transformação, a estagnação. A perfeita consciência consiste no caminho do Meio, e, nele, há a vida e a morte como lados de uma mesma moeda. O medo que paralisa, ou a euforia demasiada podem influenciar negativamente no processo. E a Vida/Morte é exatamente isso: constante processo.
Por isso, as histórias que tratam de temas tão ontológicos como este, são, sempre, atemporais e universais: clássicos, portanto.

Fiquei com vontade de ler o livro. Ando precisando escrever sobre temas assim, ir a fundo neles... Mas a tela do Word 2007, em branco, não tem ajudado muito...

Beijo grande para ti e obrigada pela dica.
Bia

Paulo Cunha disse...

É isso aí, Bia. Beijão.

Priscila Nicolielo disse...

preciso ler esse!

Paulo Cunha disse...

Leia, Pri!

Paulo Sales disse...

Boa dica, Paulão. Estava me preparando pra começar mais um livro de Ian McEwan (o primeiro, Sábado, é excelente), mas resolvi pegar A morte... aqui na estante e passar na frente. Quanto à relação entre a morte e o seu oposto, acho que Homem Comum, de Philip Roth, oferece algumas pistas interessantes. Vale a pena ler.
abraços,
P.

Paulo Cunha disse...

Ainda não li nada do Philip Roth. Vou começar pela sua indicação. Valeu o comentário! Um abração.

André Santana. disse...

Carnaval Maneiro PC;

Só fiquei nas fotos, baixolão, Homem-Aranha, Capitão América e videogame.

Douglas disse...

É verdade, também sou grande admirador do Leão. Meu conto preferido é 'O Senhor e o Servo'. A última que li, se chama 'Polikuchka', encontrei na prateleira de baixo de um sebo bem quente e apertado, uma edição antiga num formato diminuto, na capa, um desenho de um mujique de cabeça baixa, sentado na cama segurando uma corda com um bebê dormindo ao seu lado. Quem será Polikuchka?

Paulo Cunha disse...

André, meu caro bandmate. Nada mau o seu carnaval também. Postou alguma foto nova no seu blog? Até nossa próxima gig, dia 14. Um abraço.

Paulo Cunha disse...

Fala, Douglas. Cara, já vi esse 'Polikuchka' em sebos e na estante virtual, mas nunca li. Curtiu? E eu é que pergunto: quem é Polikuchka? Valeu a visita. Um abraço.