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terça-feira, 16 de junho de 2009
POR QUE EU AMO O CINEMA JAPONÊS
Sobre o filme "A Partida", de Yojiro Takita, em cartaz na cidade: simplesmente belíssimo. Entre as obras mais impressionantes que já vi. Não consigo dizer mais nada agora. Não esta noite.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
TOCANDO AS NUVENS

Sete horas da manhã de 7 de agosto de 1974, uma prosaica quarta-feira. Um homem decide "fazer algo realmente bonito". Enquanto Nova York acordava, o francês Philippe Petit equilibrava-se num cabo de aço, ligado às torres do World Trade Center. Todo vestido de preto, carregava uma vara de contrapeso - e nada mais. Não tinha nenhuma corda amarrada em sua cintura, não havia nenhuma rede de proteção ou coisa parecida para impedir sua queda, nada. Aos olhos de qualquer um, era um passo rumo à morte certa. Anos antes, Petit estava no dentista e, enquanto aguardava sua consulta, folheava uma revista. Ao ver uma foto do projeto das Torres Gêmeas, ficou chapado. Jovem equilibrista autodidata, "sonhava em conquistar nem tanto o universo, mas, como um poeta, os belos palcos", como costumava dizer. E lá estava o WCT, o mais belo entre todos os palcos. O curioso é que ele já tinha um sonho, uma meta, e o objeto desse sonho não havia ainda se materializado. A idéia virou uma obsessão. Enquanto o WCT era construído, Petit começou a praticar intensamente, já simulando a empreitada. Nesse meio tempo, atravessou as torres da catedral de Notre-Dame, em Paris, e a Ponte de Sydney - como treino, um ensaio para o que estava por vir. Nada se comparava à travessia do WCT. Era uma altura de 440 metros, em queda livre. E Petit atravessou. Não uma vez, mas oito - foi e voltou oito vezes. Ficou lá em cima, sozinho, durante 45 minutos. Com exceção dos dois primeiros passos na corda, tensos, esteve todo o tempo com um sorriso no rosto. Era como se experimentasse um transe. Caminhava concentrado, mas com semblante tranqüilo. Às vezes, parava e deitava (!) no cabo. Num momento belíssimo, ajoelhou-se e agradeceu. Embaixo, na rua, as pessoas não acreditavam no que viam. Aplaudiam, gritavam, fotografavam, filmavam e se emocionavam - choravam de verdade. A história toda está no espetacular documentário "O Equilibrista", em cartaz em São Paulo. E, agora, lembrando das cenas do filme, sentado confortavelmente na frente do computador, na segurança (?) do meu quarto, eu penso se ainda é possível tocar as nuvens sem tirar os pés do chão.
terça-feira, 31 de março de 2009
GRAN TORINO
Não gosto de assistir a filmes que todo mundo está amando, crítica e público. Chego com muita expectativa e (quase) sempre me decepciono. Aconteceu de novo. Todos os cadernos de cultura de todos os jornais e revistas dão cotação máxima, enchem de estrelas o novo filme do grande Clint Eastwood. Todos os meus amigos e amigas que foram adoraram - alguns o elevaram à categoria de obra prima. Mas não é nada disso. Gran Torino é ruim. Muito ruim. A começar pelo roteiro, um equívoco sem tamanho. As situações ora são clichês, ora inverossímeis. As soluções das cenas são óbvias, esperadas. Não há nada que surpreenda no filme. A atuação de Clint é um desastre. Onde está aquela sutileza de Menina de Ouro? O veterano de guerra Walt Kowalski é um personagem interessante, um homem perturbado, que Clint não consegue realizar. Exagera no tom racista no começo do filme, e sua "conversão" a partir da última metade também não convence. Não foi desta vez, Clint.
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